sábado, 20 de novembro de 2010

Vem ser comigo...

Vem ser comigo
Quero ser contigo
Serenamente viver
Mas não tem que ser
Do mesmo jeito que eu costumo ser
No que houver aderência seguiremos juntos
E as contradições a gente respeita
Na mesma ciranda
E no mesmo jardim
Há flores diferentes
No mesmo canteiro
E na mesma sementeira
Há brotos diferentes e delicados


Não são iguais, não é a mesma coisa
Mas o cuidador sabe o que fazer
Só quem não é cuidador
Não consegue entender!
Só quem não é cuidador
Não consegue perceber!

Diferentes somos todos por ser
É preciso e é possível ser diferente
Pensar e agir diferente
Mas viver e ser em paz

O silêncio

O SILÊNCIO

Há um silêncio que grita querendo verbalizar
As coisas que nos conflitam e que não querem calar
Se no externo há silêncio
No interior não há
Não há como amordaçar a mente
Que não pára de pensar

Quantas vezes o externo
O inferno do cotidiano social
Impõe-nos grades e correntes
Camisas de força que limitam a gente
Mas há uma força mesmo no silêncio
Que pode aflorar a qualquer momento

Um poder mental irrompe no silêncio
Como o efeito de um grito sobre o fino cristal
Eclode e sacode como larvas do vulcão existencial
Acorda o adormecido que brota da sublime quietude
Um novo olhar e novas atitudes dão novo sentido
Ao silêncio refletido de ser terra água fogo e ar 

Os elementos do silêncio dão natureza viva
E vida a natureza que decanta sobre o caos
A "minha natureza" quantas vezes ferindo ferida
A "nossa natureza" quantas vezes ferida ferindo
A biodiversidade sufocada e oprimida
Pelo meu e o nosso desprezo à vida

Do silêncio da "caverna" o ser vivo se recria
A tênue luz de esperança configura um novo dia
Evolui a real alegoria do ser em movimento
Que o pensamento - processo do silêncio - anuncia
Que rede pode acolher o movimento que o silêncio produz?
Que movimento pode brotar do silêncio que quer gritar?

Elias J. Silva - Educador popular e poeta.